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O aumento nas vendas de carros elétricos provoca debate nos condomínios O avanço dos carros elétricos no Brasil começa a mudar também a rotina dos condomínios. A instalação de pontos de recarga nas garagens já chegou às assembleias e divide moradores entre aqueles que querem carregar o veículo na própria vaga e os que se preocupam com os impactos da mudança na estrutura e nos custos do prédio. Em um condomínio no Rio de Janeiro, com 170 apartamentos, há apenas uma estação de recarga, instalada em uma vaga de visitante. A discussão sobre ampliar a estrutura ainda divide os moradores — e uma das principais dúvidas é quem deve pagar pela energia consumida pelos veículos. Segundo o advogado especialista em condomínios Marcio Rachkorsky, esse é um dos questionamentos que mais aparecem nas discussões: “O que mais eu ouço: 'Mas ele não paga a minha gasolina, por que eu tenho que pagar a eletricidade do carro dele? Cada um que pague a sua.'” A resistência, porém, não se resume à conta de luz. Para a arquiteta Alice Camargos, parte da oposição à instalação dos carregadores vem justamente de moradores que ainda não têm um veículo elétrico: “As pessoas que estão ao contrário são pessoas que não têm o carro elétrico.” A administradora do condomínio, Gabriela Mattos, vê outro fator por trás da resistência: a falta de informação. Segundo ela, existe “um preconceito muito muito grande em relação a isso, até por falta de conhecimento, por falta de informações”. Nesse cenário, a discussão ainda está longe de ser consensual. A cirurgiã-dentista Danielle Machado reconhece que o tema provoca divergências, mas vê o conflito como parte do processo de adaptação à nova tecnologia. “Tá muito acirrado, tá polêmico. Mas a gente sabe que isso é normal. Toda mudança, todo processo de transformação se fazem necessário muita discussão, muito diálogo” Mais carros elétricos, mais necessidade de recarga A discussão ganha força à medida que mais veículos elétricos e híbridos chegam às ruas. Em um ano, as vendas desses modelos triplicaram. Atualmente, são mais de 815 mil veículos desse tipo circulando no Brasil. No primeiro semestre, eles representaram cerca de 16% do total de carros vendidos. Em julho, os emplacamentos de elétricos superaram os de veículos a diesel pela primeira vez. Com mais carros desse tipo nas ruas, também muda a forma de abastecer. A recarga pode ser feita em hotéis, shoppings, supermercados, empresas ou em casa, mas exige um planejamento diferente do abastecimento em um posto de combustível. O engenheiro eletricista Sidney Aparecido Antônio instalou um carregador em casa. Segundo ele, o tempo necessário depende do equipamento: nesse tipo de carregadores, é 25 a 30 minutos para carregar 50% do necessário. Mercado de carros elétricos ganha força no Brasil Reprodução/TV Globo “Se você gasta R$ 3 mil por mês, você vai estar a gastar R$ 500.” Para quem depende do carro para trabalhar, porém, não ter um carregador disponível em casa pode complicar a rotina. A taxista Patrícia Martins Neves trabalha há sete meses com um veículo elétrico e precisa manter a bateria carregada para atender aos clientes. No condomínio onde mora, ainda não há pontos de recarga. Ela e outros dois moradores que têm carros elétricos aguardam uma solução. “A gente já conversou com o síndico, ele falou que no momento não dá. Só que no futuro isso vai ser feito. É pra gente ter paciência e esperar.” A infraestrutura elétrica que leva energia até o carregador faz parte do prédio e pode ser compartilhada entre os demais condôminos. Reprodução/TV Globo Por que a instalação vira uma decisão do condomínio? O problema é que, embora a vaga seja de uso do morador, a estrutura elétrica necessária para levar energia até ela faz parte do prédio e pode ser compartilhada pelos demais condôminos. Por isso, instalar um carregador não é apenas uma decisão individual. É preciso avaliar se a rede elétrica suporta os novos equipamentos, quais adaptações serão necessárias e como os custos serão divididos. Para Rachkorsky, a conta deve separar a estrutura coletiva do consumo de cada veículo. “A estrutura todo mundo paga. Agora, a energia só paga quem vai usar. Tem que fazer um projeto, tem que estar dentro das normas do bombeiro, tem que fazer uma assembleia, os moradores precisam aprovar, custear tudo isso, arrecadar o dinheiro, aí sim.” Em São Paulo, uma lei estadual garante ao morador o direito de instalar um carregador na própria vaga, desde que sejam observadas regras de segurança. O condomínio só pode impedir a instalação mediante justificativa técnica. Mesmo assim, a síndica profissional Elisabeth Machado Gomes afirma que o assunto deve ser discutido coletivamente: “É um perereco. Não é só porque a lei está aí, foi criada, e que eu posso sair fazendo, ou ele pode fazer da maneira que ele bem entende. Ele tem que esperar, sim, uma assembleia.” Prédios novos já preveem carregadores; antigos podem precisar de adaptações A estrutura disponível varia bastante de um condomínio para outro. Em um prédio recém-entregue em São Paulo, a garagem já foi planejada para receber carregadores. São 188 vagas, mas apenas três pontos de recarga instalados para uma frota de 18 carros elétricos. Em edifícios antigos, a adaptação pode ser mais complexa. Segundo Omar Anawat, presidente da Associação dos Administradores de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), muitos prédios não foram projetados para atender ao aumento da demanda por energia. “O prédio antigo, eu vou te dizer objetivamente, ele não vai dar conta de atender a uma demanda maior de energia. Isso é o maior risco possível para uma situação de carregamento: é você usar a tomada sem saber a carga, sem saber se a parte técnica está correta.” O engenheiro eletricista Fabio Delatore explica que a instalação pode exigir novos cabos e equipamentos de proteção e, em alguns casos, até um aumento da quantidade de energia fornecida pela concessionária. “Começa-se internamente uma operação de cabeamento, dispositivos de proteção, mas não se exclui a necessidade de, eventualmente, solicitar mais energia do concessionário. E aí está condicionada a disponibilidade ou não.” Segurança também preocupa Além da capacidade da rede elétrica, os condomínios precisam considerar os riscos relacionados às baterias dos veículos. O engenheiro eletricista Marco Aurélio Moreira afirma que as baterias de íon de lítio exigem cuidados específicos. “Existe a questão das baterias de íon de lítio, elas realmente têm uma questão de serem mais inflamáveis se expostas ao oxigênio.” O Corpo de Bombeiros também vem se preparando para ocorrências envolvendo veículos elétricos e sistemas de recarga. Segundo o capitão Murillo Rinaldi Amendoeira, a orientação é evitar instalações improvisadas. “A gente precisa evitar qualquer tipo de improviso. É um novo tipo de tecnologia. O bombeiro, no mundo todo, vem se preparando para atender esse tipo de ocorrência. É uma ocorrência um pouco mais complexa. Ela demanda novas táticas, novas técnicas, para fazer justamente esse combate.” Para moradores, carregadores podem virar diferencial Enquanto a assembleia do condomínio no Rio de Janeiro ainda não tem data para acontecer, moradores seguem discutindo os possíveis impactos da instalação dos carregadores. Para Alice Camargos, a infraestrutura pode inclusive aumentar o valor dos imóveis: “Porque hoje em dia todo mundo procura um prédio que tenha algo a mais.” Danielle Machado também vê a mudança como parte de uma transformação que tende a avançar: “Acredito que no final nós vamos conseguir sim. Nós vamos conseguir uma energia limpa, com estrutura, com segurança. Eu acredito porque esse é o futuro.”
Câmera de segurança flagrou abandono de cachorro em São Leopoldo (RS) Reprodução/Câmera de segurança Foi aprovado na Câmara dos Deputados o projeto de lei que endurece as punições para quem usar veículo para abandonar animais. A proposta agora segue para o Senado para ser votada. O texto prevê multa, suspensão do direito de dirigir e cassação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em caso de reincidência. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O projeto reúne propostas que tramitavam em conjunto na Câmara e estabelece também punições para o abandono de animais com embarcações. O parecer do relator, deputado Fred Costa (PRD-MG), recomenda a aprovação da matéria na forma de um substitutivo. Ou seja, altera o texto original e junta outras propostas. Agora no g1 O que prevê o projeto A proposta cria uma nova infração gravíssima no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para quem utilizar veículo para abandonar ou ajudar no abandono de um animal em via. A punição básica é multa equivalente a 10 vezes o valor previsto para a infração e suspensão do direito de dirigir por 12 meses. Quando o animal abandonado for cão ou gato, a suspensão sobe para 18 meses. O texto também prevê regras específicas para abandono de animais com embarcações em rios, lagos, baías, represas e outras águas interiores. Nesse caso, a punição inclui multa e suspensão do certificado de habilitação por 12 meses. Para cães e gatos, o período também sobe para 18 meses. Veja as punições previstas Abandono com veículo: infração gravíssima. Multa: 10 vezes o valor da multa correspondente à infração. Suspensão da habilitação: 12 meses. Se for cão ou gato: suspensão por 18 meses. Se o abandono provocar morte, atropelamento ou lesão: a multa é aplicada em dobro. Reincidência em até 24 meses: cassação da CNH. Abandono com embarcação: multa e suspensão do certificado de habilitação por 12 meses. Cão ou gato abandonado por embarcação: suspensão por 18 meses. Morte, afogamento ou lesão em abandono por embarcação: multa em dobro. Reincidência em até 24 meses com embarcação: cancelamento do certificado de habilitação. O que diz o relator No parecer, Fred Costa afirma que o abandono de animais deve ser tratado como uma conduta de maior gravidade. “Todos [os projetos apensados ao texto final] partem de uma premissa correta: o abandono não pode ser tratado como conduta de baixa gravidade ou de mera irregularidade administrativa”, diz o deputado no voto. Segundo o relator, o uso de veículos agrava a situação porque pode levar o animal para locais onde fica mais difícil seu retorno, resgate ou identificação do responsável. O parecer cita ainda riscos como atropelamento, fome, sede, doenças e ataques de outros animais. Em outro trecho, Costa defende que a prática não seja tratada apenas como uma irregularidade administrativa. “O abandono não pode ser tratado como conduta de baixa gravidade ou de mera irregularidade administrativa.”

JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos A indústria automotiva chinesa está em franca expansão no exterior, conquistando mercados da Europa ao Sudeste Asiático e pressionando montadoras tradicionais como Toyota e Volkswagen. Mas a situação é diferente no mercado interno. As vendas de carros vêm caindo desde o fim do ano passado, em meio à fraca demanda dos consumidores e a anos de intensa concorrência de preços, que deixaram o maior mercado automotivo do mundo saturado e com excesso de capacidade. 'Efeito China': ofensiva chinesa traz 7 novas marcas de carros ao Brasil até 2028 🚗 Embora grandes montadoras chinesas como BYD, Geely e Chery há muito busquem se tornar grandes players globais, a rápida expansão internacional agora é impulsionada tanto pela ambição quanto pela necessidade econômica, segundo analistas e especialistas do setor. Vendas na China caem pelo 10º mês seguido ➡️ As vendas de carros na China caíram 20% em julho, para 1,47 milhão de veículos, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Foi o décimo mês consecutivo de queda, segundo dados divulgados pela Associação Chinesa de Veículos de Passageiros. Na direção oposta, as exportações dispararam 88%, para 923 mil veículos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Embora os dados incluam marcas estrangeiras que produzem na China, a tendência de queda de dois dígitos no mercado doméstico e crescimento de dois dígitos nas exportações também aparece entre as montadoras chinesas. FOTO DE ARQUIVO: Carros destinados à exportação são vistos em um porto em Lianyungang, na província de Jiangsu, na China, em 2 de abril de 2020. China Daily via Reuters Cui Dongshu, presidente da associação de automóveis de passageiros, atribuiu a fraqueza recente aos preços elevados dos combustíveis, que prejudicaram a demanda por veículos movidos a gasolina, além da persistente desaceleração no segmento de sedãs básicos. Excesso de produção aumenta pressão por exportações Diante da demanda interna fraca, as montadoras chinesas têm um incentivo cada vez maior para acelerar a expansão no exterior, que já estava em andamento. “As montadoras chinesas têm excesso de capacidade de produção, cadeias de suprimentos altamente competitivas, produtos cada vez mais sofisticados e um forte incentivo econômico para buscar crescimento fora da China”, disse Bill Russo, presidente-executivo da consultoria Automobility, com sede em Xangai. Para ele, a internacionalização “está se tornando uma necessidade estratégica” para as principais montadoras chinesas. A situação do setor automotivo reflete uma dinâmica mais ampla da economia chinesa. Fábricas em expansão e exportações impulsionam o crescimento, enquanto um mercado imobiliário fraco e o baixo consumo restringem a demanda interna. Os formuladores de políticas chineses enfrentam o desafio de uma economia que produz mais do que consegue vender no mercado doméstico. Para as montadoras, os mercados externos representam um canal de escoamento cada vez mais importante. Mercado doméstico encolhe enquanto exportações avançam No primeiro semestre deste ano, as vendas domésticas de automóveis na China caíram 2,3 milhões de veículos em relação ao mesmo período do ano anterior, uma queda de 20%. O volume equivale ao total de registros de carros novos no Japão, quarto maior mercado automotivo do mundo, durante o mesmo período. Enquanto isso, as exportações chinesas de automóveis aumentaram 71% no primeiro semestre. Segundo a analista do HSBC Yuqian Ding, a demanda doméstica por carros provavelmente se estabilizará e poderá começar a se recuperar entre o fim de agosto e setembro, com o lançamento de novos modelos. Ainda assim, uma recuperação rápida em formato de V parece improvável, afirmou. Brasil como "solução" para o problema A importação de veículos chineses para o Brasil mais que dobrou nos sete primeiros meses de 2026. Os embarques da China para o mercado brasileiro cresceram 105,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Ao todo, o Brasil importou 344,1 mil autoveículos até julho, volume 25,7% superior ao registrado nos primeiros sete meses de 2025, segundo Anfavea. Desse volume total de veículos importados, mais de 180 mil vieram da China. O que corresponde a 52,4 % das importações do período. A ofensiva de montadoras chinesas no mercado brasileiro deve ganhar ainda mais força nos próximos anos. Sete novas marcas confirmaram planos de chegar ao país até 2028. O movimento inclui quatro marcas ligadas à Chery International, além da Dongfeng, que adotará a sigla DFM no Brasil, e da IM, divisão de luxo da MG. A estratégia ocorre em um mercado que já registra forte presença de fabricantes chineses. No ano seguinte, será a vez de Luxeed e Freelander, que atuarão sob a bandeira Exeed. Para 2026, o grupo planeja ter mais de 150 lojas e vender mais de 10 mil carros por mês. Até 2031, a meta é superar 1 mil lojas e 500 mil veículos vendidos no ano. Além das marcas da Chery, a Dongfeng confirmou sua chegada ao mercado brasileiro e adotará a sigla DFM. BYD compensa queda na China com vendas no exterior A BYD é um exemplo dessa mudança de estratégia. A montadora registrou queda de 35% nas vendas no mercado doméstico nos primeiros sete meses do ano, mas compensou parte da retração com um aumento de 79% nas vendas no exterior na comparação com o mesmo período do ano anterior. Brasil e Reino Unido emergiram como os maiores mercados individuais da BYD fora da China em 2026. China ameaça liderança de montadoras japonesas A crescente presença chinesa no exterior representa um desafio particularmente forte para o Japão. Desde 2023, a China é a maior exportadora mundial de veículos, posição que durante muito tempo pertenceu ao rival asiático. “A ascensão do Japão como exportador automotivo baseou-se na eficiência de fabricação, na qualidade e na economia de combustível”, disse Russo. A vantagem chinesa atualmente é mais ampla, segundo o executivo, e inclui eletrificação, baterias, software, recursos inteligentes, escala da cadeia de suprimentos e desenvolvimento acelerado de produtos. “Essa combinação pode tornar a globalização da China consideravelmente mais disruptiva.”







